Inauguração do Hospital São José
Durante a 6ª Legislatura da Primeira República, 1906 foi celebrado pela historiografia joinvilense como um ano de muitos feitos. Entre eles, estava a inauguração do Hospital São José, na época chamado de hospital de Caridade.
Orçamento
O orçamento do hospital era de 30 contos de réis (30 milhões) e mais 10 contos para toda a mobília. Também havia mais uma ala a ser construída, o que elevaria em mais 12 contos o valor do orçamento. Em abril já tinha sido gasto R$ 13:048.141 (réis) na construção e a obra já se encontrava adiantada.
A Cidade Abraça a Ideia
1905
Em outubro, informava o superintendente Procópio Gomes, na Ata da Sessão Ordinária de 9 de outubro, que Antônio Sinke fez para o Hospital um donativo de 300 mil réis e em novembro, Edgar Schutel, proprietário do Externato Instituto Joinvillense, organizava uma festa literária e musical para arrecadar fundos ao hospital. No mesmo mês, como nem todos podiam doar valores vultuosos e isso poderia acabrunhar o pequeno doador de fazer a sua parte, o jornal Gazeta de Joinville iniciou uma campanha “Para os Pobres” ajudarem os Hospital. A doação máxima seria no valor de 500 reis e não seria possível ajudar com valor maior que esse naquela redação.
O engajamento da cidade nessa empreitada ficou evidente no Natal de 1905 e nos dois dias posteriores, foi realizado um festival para angariar fundos ao Hospital. O bazar deu os seguintes resultados: Dia 25 – 1:439$000 Dia 26 – 629$000 Dia 27 – 176$400
Portanto, o festival arrecadou um total de 2 contos e 400 mil réis. O Hospital seria inaugurado somente no ano de 1906, mas sua construção terminou em dezembro de 1905. Nesse ínterim, o velho hospital situado na rua Alemã, atual Visconde Taunay, foi vendido pelo poder público municipal, sendo arrematado por 2 contos de réis pelo negociante Francisco Wendel. Um terreno contíguo ainda não havia encontrado comprador.[1]
1906
A cidade ainda abraçava os importantes atos de arrecadação, e no dia 7 de janeiro já realizava um bazar no jardim Mayerle, arrecadando 668.400 réis. Esse valor somado ao já informado no fim do ano de 1905 fez o total arrecadado chegar quase aos 3 contos de réis (3 milhões).
A sociedade joinvilense continuava abraçando com fervor a causa, doando enxoval, itens de decoração, material de escritório e outros utensílios para equipar o hospital. A edição de 17 de fevereiro da Gazeta de Joinville traz longa listagem de doadores, que não reproduziremos aqui para não cansar o leitor, mas é curiosa a doação de Frederico Müller, que cedeu uma gaiola com canário. Nesse ínterim, a ata da sessão ordinária de 5 de fevereiro, do Conselho Municipal, informava que a parte do terreno do antigo hospital que ainda não tinha sido vendido conseguiu, por fim, um comprador.
O Contrato com as Irmãs da Divina Providência
Em 24 de maio de 1906, o superintendente Procópio Gomes foi à capital do estão assinar um acordo entre a superintendência municipal e o padre Carlos Schmees, representante das Irmãs da Divina Providência em Florianópolis, delegando às mesmas a direção do hospital. Pelo contrato, o salário de cada uma das irmãs seria de 25 mil réis mensais, sendo o da superiora acrescido em mais 10 mil. O segundo artigo do contrato previa que de início o número das religiosas empregadas seria de três. Por isso, ao regressar da viagem Procópio Gomes trazia consigo exatamente três irmãs para cuidar do hospital, entre elas a superiora, irmã Wigberta, e uma enfermeira.[1]
Inauguração
Enfim, chegou o grande dia da inauguração, 4 de junho de 1906. Às 10 horas da manhã já se encontravam no quintal do hospital os membros do conselho municipal acompanhados de autoridades federais e estaduais. Logo depois, sob aclamação popular apareceu o superintendente Procópio Gomes, acompanhado do Padre Carlos Boergshausen e do presidente do Conselho Municipal, Ernesto Canac. NO seu discurso, Procópio Gomes narrou que ao assumir seu cargo, encontrou nos cofres públicos a quantia de um conto de réis (1.023.626 réis), sem dúvida um valor muito baixo. A primeira dificuldade vencida foi a aquisição do terreno, já que o padre Carlos doou para esse fim um terreno de 2 hectares. Depois Procópio passou a agradecer o auxílio que Ernesto Canac prestou, na condição de deputado estadual, conseguindo verbas do governo do estado.
A renda obtida em bazares e doações também não podia deixar de ser mencionada no discurso so superintendente, tendo em vista que demonstram claramente como o joinvilense abraçou a causa com o superintendente. Procópio relembrou a oferta realizada pelo Gremio Beneficente, que doou R$ 4.514.900. Além disso, joinvilenses que morava fora da cidade, bem como casas de comércio de grandes centros fizeram suas valiosas contribuições, além do dinheiro conseguido com a venda dos terrenos do antigo hospital. O montante chegou a mais de 40 contos de réis, e se antes construir um hospital parecia um trabalho descomunal por falta de renda, esse desafio fora vencido.
As lideranças municipais receberam homenagens de alunos e alunas de escolas locais. Nas palavras da Gazeta de Joinville, Canac mostrou-se “bastante emocionado” e Procópio Gomes ficou “comovido”. Quando o povo foi convidado a adentrar nas dependências, encontraram tudo em tão bom asseio e ordem que uma pessoa da imprensa rindo disse em tom de brincadeira que dava vontade de adoecer parar ser tratado ali. Estava assim inaugurado o Hospital da Caridade, atual Hospital São José.
A Câmara Municipal redigiu uma Ata da Sessão Extraordinária da Inauguração do Hospital de Caridade, assinada pelos vereadores Ernesto Canac, João Paulo Schmalz, Otto Pfützenreuter, Ernesto Schlemm, João Gomes de Oliveira, Arnoldo Grossenbacher, Johann Colin e o superintendente Procópio Gomes.[1]
A ata informa que as autoridades e convidados importantes se reuniram no Edifício Municipal e dali partiram para a cerimônia, que se daria no quintal do Hospital. Depois dos discursos, a população presente pôde entrar e ver as novas instalações.[2]
Pesquisador: Patrik Roger Pinheiro - Historiador | Registro Profissional 181/SC
Como Citar |
Referência
PINHEIRO, Patrik Roger. Inauguração do Hospital São José. Memória CVJ, 2024. Disponível em: <https://memoria.camara.joinville.br/index.php?title=Inaugura%C3%A7%C3%A3o_do_Hospital_S%C3%A3o_Jos%C3%A9>. Acesso em: 3 de abril de 2025. |
Citação com autor incluído no texto
Pinheiro (2024) |
Citação com autor não incluído no texto
(PINHEIRO, 2024) |
Referências
- ↑ Ir para: 1,0 1,1 1,2 Várias anotações do historiador Patrik Roger Pinheiro, quando pesquisou o assunto na Gazeta de Joinville e no Commercio de Joinville.
- ↑ Ata da Sessão de 4 de junho de 1906, em guarda do Arquivo Histórico de Joinville.