Praça Caetano Évora da Silveira
Nomeando o Logradouro

Tramitou em 1963 na Câmara, durante a 5ª Legislatura, um projeto que denominava de "Caetano Évora da Silveira" uma praça, na ocasião recém-construída, no distrito de Pirabeiraba. Na época, pessoas ainda vivas podiam nomear logradouros públicos em Joinville. POr exemplo, o jornalista Ary Silveira de Souza menciona em suas memórias que Helmuth Falgatter ainda era vivo quando a rua que leva seu nome foi batizada.[1] Comentando a nomeação da praça, porém, o Jornal "A Notícia" afirmou que aquilo "era um fato bastante raro, ao menos por aqui, de se prestar tal homenagem a uma pessoa que apenas por pouco mais de dois meses ocupou o cargo de Prefeito de Joinville, interinamente".
Parece que muitos vereadores pensavam igual ao jornal, já que a votação foi muito apertada, com cinco vereadores contra e cinco a favor.
Votaram contra o projeto: Antônio Vilmar Córdova • Eugênio Brüske • Raulino Rosskamp • Édio Fernandes • Reinaldo Gomes de França • Jacinto de Miranda Coutinho
Votaram a favor do projeto: Nilson Wilson Bender • Jamel Dippe • Willy Schossland • Guilherme Zuege • Marcos Manoel Martins
O voto de qualidade recaía sobre o presidente da casa, que por ironia do destino era justamente Caetano Évora da Silveira. Silveira entendeu que merecia a homenagem e foi a favor do projeto, de certa forma votando em causa própria, desempatando a votação.[2]
Diminuir a Praça? Isso Não
Em 1992 Joinville vivia a expectativa da implantação do sistema integrado de ônibus, o que demandaria a construção de terminais urbanos em diferentes localidades. Uma delas era o distrito de Pirabeiraba. Para acomodar o novo terminal, o prefeito Luiz Gomes pretendia diminuir a praça Caetano Évora da Silveira. O então presidente da Câmara, Durival Lopes Pereira,[3] e o vereador Odir Nunes protestaram.
Logo a sociedade se engajou no tema, e alunos de Pirabeiraba deram um abraço simbólico na praça, por cercá-la, num símbolo de proteção ao local. Diante das manifestações, a prefeitura recuou nos seus planos.[4]
Porém, o executivo municipal lançou nota em jornal com o tema "Primeira Etapa do Transporte Coletivo Exclui Pirabeiraba". Nela, a prefeitura informa que em face dos pedidos dos vereadores para não utilizar parte da praça para construir o terminal, a prefeitura teria que deixar Pirabeiraba de fora naquele momento. Durival não gostou da redação, e disse que o problema não fora gerado por ele nem por Odir, que repercutiram preocupações da população, mas sim, da prefeitura, que planejou mui mal as coisas.
Wilson França, assessor de Imprensa da prefeitura, disse que a nota teve somente o objetivo de informar a população sobre a suspensão da obra, e não de responsabilizar esse ou aquele vereador.[5]
Por fim, o terminal seria construído quase uma década depois, ao lado da praça, mas sem diminuí-la.
Pesquisador: Patrik Roger Pinheiro - Historiador | Registro Profissional 181/SC
Como Citar |
Referência
PINHEIRO, Patrik Roger. Praça Caetano Évora da Silveira. Memória CVJ, 2025. Disponível em: <https://memoria.camara.joinville.br/index.php?title=Pra%C3%A7a_Caetano_%C3%89vora_da_Silveira>. Acesso em: 3 de abril de 2025. |
Citação com autor incluído no texto
Pinheiro (2025) |
Citação com autor não incluído no texto
(PINHEIRO, 2025) |
Referências
- ↑ Ir para: 1,0 1,1 Souza, Ary Silveira de. Memórias de um Repórter Joinvilense. 1 Ed. Joinville: Editora Areia, 2018.
- ↑ A Notícia, Edição de 15 de agosto de 1963.
- ↑ Antonio Neves. Coluna Alça de Mira. Revoltado. A Notícia, 26 de agosto de 1992.
- ↑ Antonio Neves. Coluna Alça de Mira. Na Retranca. A Notícia, 28 de setembro de 1992.
- ↑ Vereador Reclama Contra Nota Paga Sobre Pirabeiraba. A Notícia, 26 de agosto de 1992.