Mudanças entre as edições de "1881-1883 - 4ª Legislatura Monárquica"
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Uma das primeiras missões que cada nova legislatura recebe é a de revisar o código das posturas da cidade. Dizia o código que a partir de 1881, cortumes, matadouros ou outros empreendimentos que exalessem mau cheiro deveriam ser instalados em locais fora da cidade (ou seja, da zona urbana). Até o fim de 1881, as instalações existentes deveriam ser transferidas para áreas mais remotas.<ref>[http://memoria.bn.br/DocReader/711608/1095 Parte Official]. Gaztea de Joinville, 27 de dezembro de 1882. Visitado em 02/08/2023</ref> | Uma das primeiras missões que cada nova legislatura recebe é a de revisar o código das posturas da cidade. Dizia o código que a partir de 1881, cortumes, matadouros ou outros empreendimentos que exalessem mau cheiro deveriam ser instalados em locais fora da cidade (ou seja, da zona urbana). Até o fim de 1881, as instalações existentes deveriam ser transferidas para áreas mais remotas.<ref>[http://memoria.bn.br/DocReader/711608/1095 Parte Official]. Gaztea de Joinville, 27 de dezembro de 1882. Visitado em 02/08/2023</ref> | ||
Em vista disso, os açougueiros começaram a pedir permissão para instalar novos matadouros nas áreas mais afastadas. [[Augusto Stock]], conhecido "carniceiro" e ex-[[presidente da Câmara]], requereu licença para construir um matadouro numa ligação da Rua do Norte (João Colin) com a estrada Dona Francisca.<ref>Ata da Sessão de 8 de julho de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.</ref> Guilherme Donner pediu permissão para construir seu matadouro na rua Allemã (atual Visconde de Taunay).<ref>Ata da Sessão de 7 de outubro de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.</ref> [[Carlos Kumlehn]] instalou um na rua Santa Catarina, não sem antes a Câmara verificar se o local era realmente afastado o suficiente.<ref>Ata da Sessão de 8 de outubro de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.</ref> Os cidadãos ficaram gratos | Em vista disso, os açougueiros começaram a pedir permissão para instalar novos matadouros nas áreas mais afastadas. [[Augusto Stock]], conhecido "carniceiro" e ex-[[presidente da Câmara]], requereu licença para construir um matadouro numa ligação da Rua do Norte (João Colin) com a estrada Dona Francisca.<ref>Ata da Sessão de 8 de julho de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.</ref> Guilherme Donner pediu permissão para construir seu matadouro na rua Allemã (atual Visconde de Taunay).<ref>Ata da Sessão de 7 de outubro de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.</ref> [[Carlos Kumlehn]] instalou um na rua Santa Catarina, não sem antes a Câmara verificar se o local era realmente afastado o suficiente.<ref>Ata da Sessão de 8 de outubro de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.</ref> Os cidadãos ficaram gratos... os urubus, nem tanto. | ||
Edição das 13h47min de 2 de agosto de 2023
A Legislatura de 1881 a 1883 foi a 4ª Legislatura do Período Monárquico, que tomou posse em 7 de janeiro de 1881.[1] Essa foi a primeira legislatura composta por cidadãos luso-brasileiros junto com os imigrantes, ambos agora participando das atividades políticas de Joinville. Também foi a primeira legislatura presidida por um luso-brasileiro.
Eleições

As eleições ocorreram em 1º e 2 de julho de 1880.[2] Somava 915 o número de eleitores em Joinville (com o distrito de São Bento do Sul).[3] Foi grande a abstenção ao pleito, já que compareceram somente 149 eleitores.[2]
Legenda | Partido Liberal | Partido Conservador |
Vereadores Eleitos | 5 | 4 |
Presidência
Por ser o vereador mais votado, Victorino de Souza Bacellar assumiu a presidência da Câmara de Joinville na 4ª Legislatura.
Vereadores
- Antônio Sinke - Conservador - 108 votos
- Fernando Rogner - Conservador - 79 votos
- Francisco Machado da Luz - Conservador - 96 votos
- Frederico Jordan - Liberal - 46 votos
- Frederico Lange - Liberal - 87 votos
- Jean Bauer - Liberal - 42 votos
- Henrique Lepper - Conservador - 90 votos
- Henrique Walter - Liberal - 43 votos
- Victorino de Souza Bacellar - Liberal - 126 votos.[4][5][6]
Suplentes Convocados
- Ludolfo Schultz - Seu nome aparece numa manifestação da Câmara em aprovação aos atos do Alfredo D'Escragnolle de Taunay, então Deputado Geral (atualmente federal).[7]
- Rodolfo Klatt - Foi convocado para prestar o juramento na Sessão de 7 de julho de 1881.[8]
- Crispim de Mira - Foi convocado para prestar o juramento na Sessão de 8 de julho de 1881,[9] mas só pôde fazê-lo no dia posterior.[10]
Aconteceu Nessa Legislatura
Funcionários Designados
- Secretário: Carlos Lange continuou no cargo.
- Fiscal: Carlos Kligner continuou no cargo.[11]
- Procurador: Ulrich Ulrichsen continuou no cargo.[12]
- Guarda-Fiscal: Francisco Gomes de Oliveira. Ver Substítulo "O Guarda-Fiscal".
Havia ainda mais dois empregados: Um administrador do Cemitério e um Porteiro.[13]
Por Ruas Livres de Obstrução
Antônio Sinke propôs e a Câmara acatou: O fiscal deveria, daquele momento em diante, atuar com vigilância e não tolerar mais que os moradores depositassem madeira ou outros materiais para fora do alinhamento de suas casas, portanto já em via pública.[14]
O Emplacamento de Carros... e de Cães!
Em 1881, os carros que circulavam por Joinville eram de tração animal, mas estavam sujeitos à impostos. Por sugestão do vereador Sinke, a Câmara aprovou que cada carro com o imposto pago deveria receber uma chapa, ou uma placa com número, que revelava o pagamento do imposto devido. Ao mesmo tratamento estavam sujeitos os cães. Os animais receberiam uma chapa para evidenciar que seu dono havia pagado as devidas taxas.[14]
O Caso da Ponte Sobre o Rio Jaguarão
Ver artigo principal: O Caso da Ponte Sobre o Rio Jaguarão
Em abril de 1881, a construção de uma ponte gerou uma inflamada discussão na Câmara. Na Sessão Ordinária de 17 de janeiro, o vereador Sinke indicou a necessidade de construir uma ponte de pedra sobre o rio Jaguarão, no ponto em que este atravessa a avenida Getúlio Vargas, então chamada de Rua Santa Catharina (no ponto da atual Assembleia de Deus).[15] Posteriormente, a Comissão de Obras fez uma prestação de contas da construção de tal ponte, na monta de 1:055$000 Réis (um conto e 55 mil). A Câmara, porém achou que o gasto foi muito elevado e a quantidade de material usada, exagerada. Seguiu-se uma acaloroda discussão e foi criada uma comissão externa para fazer uma análise da situação.[16]
Como resultado, decidiu-se que as comissões poderiam aprovar quaisquer contas, mas somente o presidente da Câmara teria o direito de mandar efetuar os pagamentos.[17] As Obras foram suspensa, até que a Câmara refizesse orçamentos e tomasse melhor decisão sobre o que fazer.[18] Na sessão de 10 de agosto a comissão de obras trouxe um relatório realizado com o auxílio de Augusto Heeren (engenheiro) e Henrique Miers (pedreiro, empreiteiro). Havia duas propstas: Demolir a ponte inacabada e construir uma de madeira, ou terminar aquela de alvenaria. Como o valor para terminar a de alvenaria, mais durável, não era muito maior do que demolição e construção da de madeira, a Câmara votou à favor da ponte de alvenaria.[19]
O Relógio da Torre da Igreja
Liderada pelo Padre Carlos Boegershausen, em 1879 a comunidade contratou Jacob Müller para instalar o primeiro relógio na torre da igreja matriz. Feliz por agora ter um relógio de torre na cidade, o jornal Gazeta de Joinville imprimiu um agradecimento a Jacob Müller pelo feito.[20] Dois anos depois, a ata da Sessão Ordinário de 4 de outubro de 1881 informa que os moradores pretenderam doar o relógio ao poder público, o que a Câmara aceitou. A mesma ata informa que a Câmara decidiu contratar um profissional para diariamente dar corda no relógio.[21] Na ata da reunião do dia seguinte, é informado que Jacob Müller foi contratado para dar manutenção e corda no relógio da torre.[22]
O Guarda-Fiscal
Criado pela lei estadual 899, de 1º de abril de 1880, o cargo de Guarda-Fiscal ficou vacante em Joinville até outubro de 1881. Na sessão de 5 de Outubro de 1881, o vereador Frederico Lange propôs convidar Francisco Gomes de Oliveira para preencher tal cargo. Posta em discussão a proposta, Henrique Lepper declarou não reconhecer necessidade de mais um fiscal em Joinville. Posta em votação, recebeu quatro votos favoráveis, sendo contra o vereador Fernando Rogner.[23]
Mau Cheiro? Só Fora da Área Urbana
Uma das primeiras missões que cada nova legislatura recebe é a de revisar o código das posturas da cidade. Dizia o código que a partir de 1881, cortumes, matadouros ou outros empreendimentos que exalessem mau cheiro deveriam ser instalados em locais fora da cidade (ou seja, da zona urbana). Até o fim de 1881, as instalações existentes deveriam ser transferidas para áreas mais remotas.[24]
Em vista disso, os açougueiros começaram a pedir permissão para instalar novos matadouros nas áreas mais afastadas. Augusto Stock, conhecido "carniceiro" e ex-presidente da Câmara, requereu licença para construir um matadouro numa ligação da Rua do Norte (João Colin) com a estrada Dona Francisca.[25] Guilherme Donner pediu permissão para construir seu matadouro na rua Allemã (atual Visconde de Taunay).[26] Carlos Kumlehn instalou um na rua Santa Catarina, não sem antes a Câmara verificar se o local era realmente afastado o suficiente.[27] Os cidadãos ficaram gratos... os urubus, nem tanto.
Legislaturas do Período Monárquico | ||
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Precedida pela 3ª Legislatura do Período Monárquico |
4ª Legislatura do Período Monárquico | Sucedida pela 5ª Legislatura do Período Monárquico |
Pesquisador: Patrik Roger Pinheiro - Historiador | Registro Profissional 181/SC
Como Citar |
Referência
PINHEIRO, Patrik Roger. Câmara de Joinville: 1881-1883 - 4ª Legislatura Monárquica. Memória CVJ, 2023. Disponível em: <https://memoria.camara.joinville.br/index.php?title=1881-1883_-_4%C2%AA_Legislatura_Mon%C3%A1rquica>. Acesso em: 4 de abril de 2025. |
Citação com autor incluído no texto
Pinheiro (2023) |
Citação com autor não incluído no texto
(PINHEIRO, 2023) |
Referências
- ↑ Ata da Sessão de 7 de janeiro de 18881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Ir para: 2,0 2,1 Noticias Locaes - Joinville - Eleição Municipal. Gazeta de Joinville, 6 de julho de 1880. Visitado em 20/01/2023
- ↑ Noticias Locaes - Joinville - Junta Municipal. Gazeta de Joinville, 22 de junho de 1880. Visitado em 20/01/2023
- ↑ Sociedade de Amigos de Joinville. Álbum do Centenário de Joinville. 1951. Curitiba: Gráf. Mundial.
- ↑ Eleição Municipal - Chapa Liberal. Gazeta de Joinville, 29 de junho de 1880. Visitado em 01/12/2022
- ↑ Edital. Gazeta de Joinville, 6 de julho de 1880. Visitado em 20/01/2023
- ↑ Noticias Locaes - Manifestação. Gazeta de Joinville, 11 de outubro de 1882. Visitado em 19/06/2023
- ↑ Ata da Sessão de 7 de julho de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Ata da Sessão de 8 de julho de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Ata da Sessão de 9 de julho de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Editaes. Gazeta de Joinville, 27 de abril de 1881. Visitado em 07/07/2023
- ↑ Edital. Gazeta de Joinville, 13 de abril de 1881. Visitado em 06/07/2023
- ↑ Parte Official. O Despertador, 5 de maio de 1880. Visitado em 28/07/2023
- ↑ Ir para: 14,0 14,1 Ata da Sessão de 19 de janeiro de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Ata da Sessão Ordinária de 17 de janeiro de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Ata da Sessão Ordinária de 5 de abril de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Ata da Sessão Ordinária de 6 de abril de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Ata da Sessão Extraordinária de 12 de abril de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Ata da Sessão Extraordinária de 25 de abril de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Noticias Locaes. Gazeta de Joinville, 18 de novembro de 1879. Visitado em 10/11/2022
- ↑ Extracto das Actas da Camara Municipal. Quarta Sessão Ordinária. 2. Sessão. Gazeta de Joinville, 16 de novembro de 1881. Visitado em 10/11/2022
- ↑ Extracto das Actas da Camara Municipal. Quarta Sessão Ordinária. 3. Sessão. Gazeta de Joinville, 16 de novembro de 1881. Visitado em 10/11/2022
- ↑ Ata da Sessão de 5 de outubro de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Parte Official. Gaztea de Joinville, 27 de dezembro de 1882. Visitado em 02/08/2023
- ↑ Ata da Sessão de 8 de julho de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Ata da Sessão de 7 de outubro de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.
- ↑ Ata da Sessão de 8 de outubro de 1881, em guarda do Arquivo Historico de Joinville.